LISBON & ESTORIL FILM FESTIVAL 2013

A sétima edição do Lisboa Estoril Film Festival promete mais uma vez brindar o público com uma programação diversificada e recheada de atracções. Entre os dias 8 e 18 de Novembro em vários locais de Lisboa (Cinema Monumental, Nimas, Centro Cultural de Belém, Cinemateca Portuguesa, Museu Nacional de História Natural e da Ciência e Musicbox). No Estoril (Centro de Congressos e Casino) e em Cascais (Casa das histórias Paula Rego).

Os convidados de honra este ano:  Aleksandr Sokurov, Wong Kar-Wai, James Gray, Arnaud Desplechin, Alain Guiraudie, Jorge Silva Melo .Regressam também ao festival os escritores J.M. Coetzee, Don DeLillo, Paul Auster e Siri Hustvedt.

Como já vem sendo usual, a proposta multidisciplinar do LEFFEST não contempla apenas o cinema,contando com muitos outros nomes de peso na cena contemporânea como: Arto Lindsay, Dominique Gonzalez-Foerster, Abdellatif Kechiche, Roman Coppola, Jason Schwartzman, Paul Giamatti, Valeria Golino, entre outros.

Pela primeira vez,  o festival conta com filmes de produção Mundial e, não, apenas Europeus. Além disso o LEFFEST’13 tem duas novas secções: RUPTURAS e CINEMA & LITERATURA.

Motivos de sobra para não faltar! Reserve já o seu lugar!

Aqui deixo mais pormenores sobre as exibições:

SELECÇÃO OFICIAL
Fora de Competição

Cadences Obstinées, de Fanny Ardant
Child’s Pose, de Calin Peter Netzer
Fruitvale Station, de Ryan Coogler
A Glimpse Inside the Mind of Charles Swan III, de Roman Coppola
Gloria, de Sebastián Lelio
Història de la Meva Mort, de Albert Serra
Inside Llewyn Davis, de Ethan Coen e Joel Coen
Like Father, Like Son, de Hirozaku Koreeda
Miele, de Valeria Golino
Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch
Le Passé, de Asghar Farhadi
Stories We Tell, de Sarah Polley
La Vénus à la Fourrure, de Roman Polanski
La Vie d’Adèle, de Abdellatif Kechiche


Em Competição

La Bataille de Solférino, de Justine Triet
Fish & Cat, de Shahram Mokri
Harmony Lessons, de Emir Baigazin
Palo Alto, de Gia Coppola
Short Term 12, de Destin Cretton
Sieniawka, de Marcin Malaszczak
Stop the Pounding Heart, de Roberto Minervini
The Strange Little Cat, de Ramon Zürcher
Tip Top, de Serge Bozon
Vic + Flo Ont Vu un Ours, de Denis Côté
Viola, de Matias Piñeiro
When Evening Falls on Bucharest or Metabolism, de Corneliu Porumboiu

Para mais informações consultar: http://www.leffest.com/pt/sobre

 

Le Sacre du Printemps (2013) de Min Kyoung Lee e João dos Santos Martins

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“Le sacre du Primtemps” foi um dos espetáulos integrados no vigésimo aniversário da Culturgest. Tomando com ponto de partida a obra “Le Sacre du Printemps” (1913) de Vaslav Nijinsky, esta performance foi levada a palco pelos coreógrafos e intérpretes Min Kyoung Lee e João dos Santos Martins. O ballet original estreou-se a 29 de Maio de 1913 em Paris, fruto da colaboração de três célebres personalidades: Stravinsky, Nicholas Nijinsky e Roerich. Desde então, foi coreografada mais de trezentas vezes, consagrando-se como a mais emblemática performance artística do século XX.

Com a clara intenção de recriar o clima de agitação e confusão que se instalou na noite de estreia, tratou-se de uma performance com uma componente provocadora e reflexiva.O público foi, por várias vezes, incitado a participar. Frases exclamativas como: “Vaiar”! ou “Gritar”! foram projectadas na parede, convidando a audiência a adoptar uma postura interventiva, numa tentativa de recordar o caos que tomou lugar em 1913. Paralelamente o espetáculo foi marcado pela presença de comentadores que,como se de um evento desportivo se tratasse, faziam o relato ao mesmo tempo que a performance decorria. Este quadro suscitou reacções mais efusivas por parte de alguns espectadores, como: “mas isto é para falar ou para ver o bailado?”. A resposta obtida foi – “a senhora está a repetir o mesmo que há cem anos atrás”. Esta situação relembra-nos a contemporaneidade da discussão sobre os limites e fronteiras das artes.

O local onde toda acção decorreuO parque de estacionamento – fez-me refletir acerca das linhas mestras pelas quais uma performance se deve orientar. O local eleito passa por ser uma antítese daquilo que normalmente se considera ser um palco. Um espaço austero, rodeado de cimento, sem qualquer cenário, e apenas com um pequeno estrado para os artistas discorrerem a sua arte através da energia dos seus corpos. E de corpos se tratou, sem dúvida. Ao longo de quase duas horas o público foi brindado com uma síntese de algumas das coreografias que foram sendo apresentadas ao longo do espaço e do tempo (por exemplo de Berrnard Hourseau, Pina Bausch, Olga Roriz, entre outros). A ausência de um cenário na acepção tradicional do termo é uma evidência de que se tratou de uma apresentação de natureza experimental.

Na celebração do seu centésimo aniversário a temática de dançar até à morte foi, mais uma vez, ilustrada pelos dois bailarinos que chegaram, sem dúvida, ao final da performance completamente exaustos. A quase inexistência de registos visuais sobre a primeira apresentação em Paris levou, inevitavelmente, à existência de múltiplas interpretações da coreografia de Nijinsky consequentemente, a riqueza das interpretações são vastas e diferenciadas entre si. À semelhança da coreografia original, os elementos que foram tão polémicos há cem anos atrás, foram reproduzidos: a componente erótica, com ênfase em passos violentos, movimentos marcados por ângulos retos e contrações corporais. O facto de ser uma sinopse de diversas coreografias, cada uma com as suas disposições particulares, tornou também a apresentação numa miríade de sentimentos.

 

Em conclusão, tratou-se de uma apresentação complexa e exaustiva que, apesar do experimentalismo e de fugir ao ambiente tradicional de um bailado ou um teatro, conseguiu captar a atenção do público presente, e fazê-lo reflectir sobre a natureza da performance artistíca.

7ª edição do MOTELX – reviews de “Byzantium” e “The Complex”.

A sétima edição do MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa teve início no dia 11 de Setembro tendo estado em exibição até ao dia 15 no Cinema São Jorge, em Lisboa. Organizado pelo CTLX – Cineclube de Terror de Lisboa, uma associação cultural sem fins lucrativos, o MOTELx apresentou, como já vem sendo hábito, uma programação muito variada, contando com a presença de filmes de vários países. Esta diversidade permite-nos conhecer um pouco mais sobre cada cultura, particularmente no que diz respeito àquilo que se produz a nível do cinema de terror nos diferentes países, dando a oportunidade de ver filmes inéditos em Portugal.

No que concerne às curtas portuguesas, todos os anos estas competem entre si para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa. A curta vencedora deste ano foi “O Coveiro”, da autoria de André Gil Mata, uma produção que narra, ao luar, a história de uma criança que nasceu monstro.

O festival tem também por costume trazer a Portugal uma “lenda viva do terror”, homenageando-o e brindando o público com a oportunidade de ver os seus filmes de culto no grande ecrã. Este ano, e pela primeira vez, o MOTELx homenageou três  grandes personalidades emblemáticas do cinema de terror: Tobe Hooper (Massacre no Texas); Hideo Nakata (The Ring) e, por último, a secção Lobo Mau junta-se à Cinemateca Júnior para homenagear o recentemente falecido Ray Harryhausen.

Desde de 2007 (1ª edição) que este festival tem vindo a crescer consideravelmente, sendo já visto como uma referência, principalmente por aqueles que anualmente afluem ao cinema na procura do que de melhor se fez recentemente dentro do género. Penso que se trata de um festival muito rico, com uma oferta muito diversificada, sendo uma óptima oportunidade não só para os amantes do género mas, também, para todos os curiosos em busca de novas experiências.

 

“Byzantium”.

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Passados quase vinte anos desde da adaptação cinematográfica de “Entrevista com o vampiro” da romancista Ane Rice, Neil Jordan assinala o seu regresso ao género com o filme “Byzantium”. Um filme que à semelhança de “ Entrevista com o Vampiro” prima por uma estética sensual e provocante. O equilibro entre elegância, sensualidade e luxúria é um dos pontos fortes deste filme que se evidencia por não cair no cliché dos filmes recentes que se fazem sobre o género.

Narrado pela personagem principal Eleanor (Saoirse Ronan) que, atormentada com o peso do seu segredo, desabafa em páginas soltas que a seguir  lança ao vento. Podemos aqui  estabelecer um paralelismo com a personagem Louís ( Brad Pitt) de “Entrevista com o Vampiro” que, igualmente, se interroga acerca da sua transformação e consequente imortalidade, sentindo-se por isso condenado. O enredo centra-se, desta vez, em duas mulheres misteriosas, mãe e filha, ambas vampiras que, condenadas pelo seu passado conturbado procuram sobreviver num mundo que as tem, continuamente, posto à prova na sua condição não só de vampiras, mas também de mulheres. Demonstrando uma perspectiva feminina do que é ser um vampiro, este filme denuncia os preconceitos acerca da mulher e da própria maternidade. O confronto entre géneros está presente ao longo de toda a trama, com bastante incidência para a crueldade do machismo vigente no século XVIII  em que a mulher não tinha quaisquer direitos ou autonomia. Até mesmo a irmandade dos vampiros é constituída exclusivamente por homens, sendo demonstrativa da sua hegemonia. É aí que começa o verdadeiro tormento das vidas de Eleanor e sua mãe Clara (Gemma Arterton) que, tendo quebrado as regras, são obrigadas a fugir e a viver à margem da sociedade.

A maternidade assume um papel de destaque na medida em que é o principal pêrndulo da relação entre as duas personagens principais. O auge da intensidade dramática revela-se no medo e na angústia de uma mãe capaz de sacrificar tudo pela sua filha. Por um lado, Eleanor sente que a sua mãe a sufoca com a sua necessidade de proteção. Por outro, ela sabe que se trata de uma bênção, pois a protecção de Clara é reveladora do seu amor incodicional, capaz de tudo para garantir a sobrevivência da filha. Também em “Entrevista com o vampiro” o sentimento de paternidade e protecção de Louís para com Claudia (Kirsten Dunst) tem um papel predonderante.

Em suma, “Byzantium” foi uma agradável e envolvente surpresa, com uma realização primorosa por parte de Neil Jordan e interpretações muito acima da média por parte do elenco.

“The Complex”.

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“The  Complex” ou no original “Kuroyuri danchi” é o último filme do mestre do cinema de terror japonês Hideo Nakata, conhecido por filmes como “ The Ring” e “Dark Waters”.

A história constrói-se à volta da personagem principal “Asuka” (interpretada pela actriz Atsuko Maeda), uma jovem aspirante a enfermeira, que se acabou de mudar para um novo apartamento juntamente com a sua família. Asuka cedo começa a perceber que algo de estranho se passa no bloco de apartamentos onde vive – algo que é confirmado pelas suas colegas de escola, que lhe dizem que o prédio onde vive é, supostamente, assombrado.

“The Complex” é um filme baseado numa narrativa que vai mais longe do que é habitual em filmes de terrror. A película é, em parte, uma reflexão acerca das crenças no sobrenatural e, a forma como estas influenciam a vivência na sociedade japonesa do pós-modernismo. Mostra-nos, também, a forma como a cidade e as relações que nela se estabelecem proporcionam, muitas vezes, o distanciamento entre os indivívios levando, não raras vezes, ao isolamento.

Este distanciamento das relações sociais está patente numa cena em que é retratada a morte de um idoso – que apenas é descoberto pela protagonista dias mais tarde no apartamento onde residia. Isto remete-nos para a infeliz situação do abandono de idosos, o próprio realizador na conversa que antecedeu à visualização da película, deu a entender que esta questão seria uma realidade no Japão (e também em Portugal).

O foco principal do filme é, no entanto, o sobrenatural. Em determinada altura é referido que “os fantasmas não assombram lugares, assombram a mente das pessoas” – tradução literal do que, pessoalmente, é o pedaço de diálogo mais fascinante que vi em algum tempo. Esta explicação da experiência sobrenatural como algo que nos invade a mente tem paralelo com outra temática presente no filme: a do trauma e da doença mental. A solidão que sentimos quando perdemos alguém, a dificuldade que temos em seguir com as nossas vidas, o vazio existencial são, apenas, algumas das temáticas que este  filme aborda. Temáticas estas que, de certa forma, são tabu. A forma como Hideo Nakata o faz é, sem sombra de dúvida, magistral.

Em geral, é uma película bem conseguida, com uma realização ao nível do que o realizador nos tem habituado e com uma história que nos deixa pregados à tela.

 

Textos por: Ana Pessoa e Marco Ermidas.

7ª ediçao do MOTELx.

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Começou ontem a 7ª edição do MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.

Dedicado ao cinema de terror o festival conta, este ano, com as presenças de Tobe Hopper (Texas Chainsaw Massacre e Poltergueist) e Hideo Nakata ( The Ring e Dark Water).

Com um cartaz bastante recheado de pérolas do género, especial destaque para Byzantium de Neil Jordan (vampiros numa toada anti-twilight), Wither de Tommy Wiklund e Sonny Laguna num estilo muito cabin fear, e Maniac de Franck Khalfoun com Elijah Wood no papel principal.

O MOTELx realiza-se no Cinema São Jorge de 11 a 15 de Setembro.

Mais informações em:

http://motelx.org/

Festival da Terra 2013.

Dias 13, 14 e 15 de Setembro na  Avenida Rio de Janeiro terá lugar uma Feira Alternativa. Poderão desfrutar de: terapias não convencionais, alimentação natural, ecologia, workshops, oficinas, espectáculos, palestras, artesanato e muito mais!

Um evento direccionado para o desenvolvimento sustentável. Mudar de vida é a proposta!

Visitem!

http://naturlink.sapo.pt/Eventos/Feiras-e-Exposicoes/content/Festival-da-Terra-2013-Feira-Alternativa?bl=1

 

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MEO Out Jazz – 21de Julho de 2013

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No passado dia 21 de Julho, teve lugar mais uma sessão do “MEO Out Jazz”, desta feita no Jardim da Estrela. As hostilidades abriram por volta das 17 horas, com o concerto de Filipe Gonçalves. Tendo uma sonoridade que aponta para uma fusão entre o jazz, o funk e o soul, desde cedo contagiou os presentes com a sua voz e irreverência em palco. De destacar a mestria dos músicos que o acompanhavam.

Em seguida, foi a vez do DJ Nuno Di Rosso animar os presentes com o seu som techno.

Quanto a público, o Jardim da Estrela estava muito bem composto, com pessoas e famílias de todas as idades. De realçar o número de barraquinhas de alimentação e a organização do evento.

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